sábado, 8 de novembro de 2025

 

OS ATRIBUTOS DAS ESCRITURAS E SUA NECESSIDADE PARA AS IGREJAS DA
ATUALIDADE


Escrito por Verino Filho

Introdução

“Antigamente, Deus falou, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas,mas, nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas e pelo qual também fez o universo.”(Hb 1.1,2.

Vivemos em um tempo em que existem muitas mudanças e informações para todos os lados que olhamos. As pessoas falam sobre tudo, sobre futebol, politica, saúde, religião e outras coisas. Mas a verdade é que as pessoas esquecem do que realmente tem valor: a Palavra de Deus. Em meio tantas vozes e opiniões a bíblia continua sendo o único meio que pode nos mostrar quem de fato é Deus.

A Bíblia não é um livro comum. Ela é a palavra de Deus inspirada, escrita para nos ensinar, corrigir e para nos orientar em todo tempo. Por meio dela conhecemos a verdade de Deus e conseguimos viver da maneira correta, conforme o aposto Paulo nos diz na sua carta a Timóteo: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça.” (2Tm 3.16).

Infelizmente no tempo em que vivemos, muita igreja tem dado mais a atenção para coisas que acabam deixando a autoridade das escrituras de lado, e isso é algo que não deve acontecer. Por isso é importante lembrar dos atributos das escrituras, ou melhor dizendo, das qualidades que mostram que a Bíblia é verdadeira, suficiente, clara e que tem toda a autoridade.

1.     Inerrância bíblica

A Biblia é sem sombra de dúvidas o livro mais lido de todos os  tempos, isso porque a bíblia é a própria revelação de deus aqui nesta terra, sem ela nós não conheceríamos o pouco da personalidade de Deus. E a bíblia  que nos mostra de forma verídica a criação de todas as coisas como: a criação do ser humano, a criação dos animais e  a criação da noite e do dia, e não para por ai a bíblia nos mostra não é somente coisas que já aconteceram, mas nos mostra as coisas que ainda irão acontecer, como: a volta de Jesus, as bodas do cordeiro, a grande tribulação e muitos outros episódios.

1.1  A Bíblia como Palavra de Deus

 

A Bíblia é de fato a palavra de Deus, não existe em lugar algum algo que possa mostrar ou melhor dizendo revelar á Deus do que a sua própria palavra. Veja o que nos diz a Declaração de Fé das Assembleias de Deus no Brasil:

“Bíblia Sagrada é a Palavra de Deus, única revelação escrita de Deus dada pelo Espírito Santo, escrita para a humanidade e que o Senhor Jesus Cristo chamou as Escrituras Sagradas de a "Palavra de Deus;״ que os livros da Bíblia foram produzidos sob inspiração divina: "Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil" (2 Tm 3.16 - ARA). Isso significa que toda a Escritura foi respirada ou soprada por Deus, o que a distingue de qualquer outra literatura, manifestando, assim, o seu caráter sui generis. As Escrituras Sagradas são de origem divina; seus autores hum anos falaram e escreveram por inspiração verbal e plenária do Espírito Santo: “Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espirito Santo" (2 Pe 1.21). Deus soprou nos escritores sagrados, os quais viveram numa região e numa época da história e cuja cultura influenciou na composição do texto. Esses homens não foram usados automaticamente; eles foram instrumentos usados por Deus, cada um com sua própria personalidade e talento. A inspiração da Bíblia é especial e única, não existindo um livro mais inspirado e outro menos inspirado, tendo todos o mesmo grau de inspiração e autoridade. A Bíblia é nossa única regra de fé e prática, a inerrante, completa e infalível Palavra de Deus: "A lei do Senhor é perfeita" (SI 19.7), É a Palavra de Deus, que não pode ser anulada: "e a Escritura não pode falhar"(Jo 10.35 -ARA).” (CGADB, 2021)

De fato, a bíblia é a palavra de Deus é ela que nos revela o nosso criador, deus pela sua infinita misericórdia decidiu se revelara para nós, foi uma decisão de Dele por livre espontânea vontade de se revelar para a sua criação.

1.2  A origem divina da Biblia

A bíblia não veio da mente humana, não foi algo que o homem por sua livre espontânea vontade decidiu criar ou escrever, até porque se fosse, a bíblia não teria toda a perfeição que tem, em fim a bíblia é um projeto de Deus, ele decidiu inspirar homens santos para escrever aquilo que ele quis revelara para nós. Vejamos o que o apostolo pedr nos diz na sua carta:

“porque nunca jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana; entretanto, homens falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo.” (2Pe 1.21)

Isso nos mostra que cada palavra que compõe as  Sagradas Escrituras não foi idealizada por homens, muito pelo contrário, foi ideia de Deus por isso decidimos adotar a ideia de que a Bíblia é a palavra de Deus.

Embora a bíblia tenha sido escrita em lugares, em épocas e por pessoas diferentes, ela mantém o que nós podemos chamar de unidade perfeita, isso porque a mesma não foi criada por pessoas, mas si pelo próprio Deus. 

1.3  A Biblia é viva e atual

 “Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até o ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para julgar os pensamentos e propósitos do coração.” (Hb 4.12)

Embora Bíblia tenha sido escrita a milhares de anos, ela não deixa de ser á Palavra de Deus, continua sendo viva e poderosa, ela fala aos corações hoje da mesma forma que falou no passado. Vejamos o que nos diz Antônio Gilberto:

“A Bíblia nunca se torna um livro antigo, apesar de ser cheio de antiguidades. Ela é tão hodierna como o dia de amanhã. Sua mensagem milenar tanto satisfaz a criança como o ancião encanecido. A Bíblia pode ser lida vezes sem conta sem se poder encontrar suas profundezas e sem que o leitor perca por ela o interesse. — Acontece isso com os demais livros?! Quem já se cansou de ler Salmo 23; João 3.16; Romanos 12; 1 Coríntios 12? É que cada vez que lemos essas passagens (para não falar nas demais), descobrimos coisas que nunca tínhamos visto antes. Depois de quase 2.000 anos de escrito o último livro da Bíblia, a impressão que se tem é que a tinta do original está ainda secando...” (GILBERTO,2019, p.71).

Com as palavras de Antônio Gilberto concluímos que a bíblia independente do que aconteça ela sempre será mais atual do que o jornal que ainda ira ser publicado, e isso é o que faz a bíblia ser um livro inerrante.

2.     Autoridade Bíblica

 A Bíblia tem autoridade porque é a própria palavra de Deus. Isso quer dizer que tudo que está escrito nela deve ser crido, obedecido e respeitado, a autoridade bíblica não vem de homens até porque estamos falando de algo que vai além de todas as coisas, a autoridade Bíblica também não vem de denominações eclesiásticas, ela vem do próprio Deus isso porque foi ele quem inspirou as Escrituras.

2.1  A origem da autoridade da Bíblia

“Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça,” (2Tm 3.16).

Neste ensinamento de Paulo vemos a originalidade das Escrituras, vemos a afirmação dele dizende que “Toda a Escritura é inspirada por Deus”, o fato da bíblia ser inpirada por Deus nos faz entender o real motivo das Sagradas Escrituras sem tão autoritativas.

Toda a Biblia “e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça,” isso deixa claro para nós que todos os livros que compõe as Sagradas Escrituras são inspirados por Deus. Vejamos o que nos diz Antônio Gilberto:

“A teoria correta da inspiração da Bíblia é a chamada Teoria da Inspiração Plenária ou Verbal. Ela ensina que todas as partes da Bíblia são igualmente inspiradas; que os escritores não funcionaram quais máquinas inconscientes; que houve cooperação vital e contínua entre eles e o Espírito de Deus que os capacitava. Afirma que homens santos escreveram a Bíblia com palavras de seu vocabulário, porém sob uma influência tão poderosa do Espírito Santo, que o que eles escreveram foi a Palavra de Deus. Explicar como Deus agiu no homem, isso é difícil! Se, no ser humano, o entrosamento do espírito com o corpo é um mistério inexplicável para os mais sábios, imagine-se o entrosamento do Espírito de Deus com o espírito do homem! Ao aceitarmos Jesus como Salvador, aceitamos também a Palavra escrita como a revelação de Deus. Se o aceitamos, aceitamos também a sua Palavra. A inspiração plenária cessou ao ser escrito o último livro do Novo Testamento. Depois disso, nem os mesmos escritores, nem qualquer servo de Deus pode ser chamado inspirado no mesmo sentido.” (GILBERTO,2019, p.59).

Assim podemos entender que a Bíblia tem autoridade porque foi inspirada por Deus. Segundo Antônio Gilberto, toda a Bíblia foi escrita por pessoas escolhidas por Ele, que usaram suas próprias palavras, mas guiadas pelo Espírito Santo. Por isso, acreditamos que o que está escrito na Bíblia é a própria Palavra de Deus, dada aos homens para nos ensinar e mostrar a vontade divina.

3.     Clareza

A clareza das Escrituras é um dos atributos essenciais da Palavra de Deus. Significa que a Bíblia foi escrita de modo que qualquer pessoa, com a ajuda do Espírito Santo e com o coração disposto, pode compreender suas verdades principais. A Palavra de Deus não é confusa nem reservada a um grupo seleto de estudiosos, mas é clara o suficiente para que todos conheçam o caminho da salvação e vivam conforme a vontade divina. Vejamos o que nos diz BARBOSA, 2025:

“A doutrina da clareza (ou perspicuidade) das Escrituras nos lembra que a mensagem salvadora da redenção de Deus pode ser entendida por todos que se importam em ouvi-la (Dt 30:11-14). Isso não significa que toda passagem na Bíblia seja óbvia ou que devemos evitar o treinamento adequado em todas as disciplinas bíblicas. Mas quando se trata dos princípios centrais das Escrituras, podemos discernir a palavra de Deus por nós mesmos, à parte da interpretação oficial da igreja. Há um significado no texto e Deus sabe como comunicá-lo a nós.” (BARBOSA, 2025).

Pdemos entender que a clareza das Escrituras mostra que Deus quis falar conosco de tal forma que todos pudessem entender. A Bíblia não foi escrita apenas para estudiosos ou líderes religiosos, mas para todas as pessoas que têm o desejo de conhecer a verdade. Em Deuteronômio 30.11-14, Moisés diz que a Palavra de Deus “não está longe, nem nos céus, nem além do mar, mas está muito perto de você, na sua boca e no seu coração, para que a pratique”. Isso quer dizer que a mensagem de Deus é acessível, e qualquer pessoa que ler a Bíblia com fé e sinceridade pode compreender o que Ele quer ensinar.

Mesmo assim, existem textos que podem ser difíceis de entender. O apóstolo Pedro reconheceu isso ao dizer que “entre as quais há certas coisas difíceis de entender” (2Pe 3.16). Porém, o que é essencial o plano de salvação, o amor de Deus, o arrependimento e a fé em Jesus Cristo é claro o suficiente para todos. Quando o cristão lê a Bíblia com o coração aberto, o Espírito Santo o ajuda a compreender o que é mais importante, como Jesus prometeu: “quando vier o Espírito da verdade, ele os guiará em toda a verdade” (Jo 16.13).

A clareza da Bíblia também mostra que todos os cristãos têm o direito e o dever de ler e interpretar as Escrituras. Não precisamos depender apenas de líderes religiosos para entender o que Deus quer de nós, embora o ensino e a orientação da igreja sejam importantes. Martinho Lutero defendeu essa verdade durante a Reforma Protestante, lembrando que a Palavra de Deus é suficiente e clara para o povo comum. Assim, cada pessoa pode conhecer a vontade de Deus por meio da leitura e do estudo da Bíblia, com a ajuda do Espírito Santo e da comunhão da igreja.

Nos dias de hoje, essa verdade é muito importante. Vivemos em um tempo cheio de confusão espiritual e muitas opiniões diferentes. Por isso, a igreja precisa voltar à Palavra de Deus como a fonte segura de verdade. O salmista escreveu: “Lâmpada para os meus pés é a tua palavra e luz para o meu caminho” (Sl 119.105). A Bíblia continua sendo essa luz que mostra o caminho certo. Quando a igreja ensina seus membros a ler e entender as Escrituras, ela se fortalece na fé e cumpre seu papel de levar a verdade de Deus a todas as pessoas.

Suficiência

A suficiência das Escrituras significa que a Bíblia contém tudo o que é necessário para a fé e para a vida cristã. Deus revelou na Sua Palavra tudo o que precisamos saber sobre salvação, conduta cristã e obediência à Sua vontade. Em 2 Timóteo 3.16-17, está escrito: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça, para que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra.” Isso mostra que a Bíblia é completa e suficiente para nos guiar, sem necessidade de novas revelações ou doutrinas humanas.

Além disso, a Bíblia é a revelação final e completa de Deus. Embora Ele tenha falado de muitas maneiras no passado, em Hebreus 1.1-2 lemos: “Havendo Deus falado, há muito tempo, muitas vezes e de muitas maneiras aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias nos falou pelo Filho.” O registro escrito da Palavra garante que tudo o que Deus quis revelar para nossa salvação já está plenamente disponível e acessível. Na apostila Bibliologia, Instituto Servus diz:

Podemos definir a suficiência da Bíblia como se segue: A suficiência da Bíblia para dizer que a Bíblia contém todas as palavras de Deus que ele queria que o povo tem em cada etapa da história da redenção, e agora contém tudo Deus nos diz que precisamos para a salvação, a confiar nele e obedecer-lhe perfeitamente.(SERVUS, 2025).

A definição da apostila do Instituto Servus deixa claro que a Bíblia é suficiente para guiar o cristão em todas as áreas da fé e da vida espiritual. Isso significa que Deus revelou em Sua Palavra tudo o que era necessário para cada etapa da história da redenção e, atualmente, contém tudo o que precisamos para a salvação, para confiar nele e obedecer-lhe perfeitamente. Não há necessidade de novas revelações ou tradições humanas para suprir aquilo que já está registrado nas Escrituras, pois elas são completas e confiáveis. Como Paulo afirma em 2 Timóteo 3.16-17:

“Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça, para que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra.”

Conclusão

Diante de tudo o que foi exposto, podemos afirmar que a Bíblia é a revelação plena, suficiente e infalível de Deus para a humanidade. Ela não é apenas um livro antigo, mas a viva Palavra de Deus, que continua transformando vidas e guiando a Sua Igreja em todos os tempos. Seus atributos inerr~ncia, autoridade, clareza e suficiência demonstram que as Escrituras são totalmente confiáveis e indispensáveis para o crescimento espiritual e a manutenção da fé cristã.

Em meio às inúmers ideias do mundo moderno, a Igreja precisa voltar cada vez mais para as Escrituras, reconhecendo nelas a voz do próprio Deus. A Bíblia é o alicerce da fé, a regra segura de conduta e a fonte de toda verdade. Quando a Igreja fundamentada sua doutrina e prática na Palavra, ela se mantém firme, fiel e relevante diante dos desafios da atualidade.

Portanto, é urgente que cada cristão e cada comunidade de fé valorizem e estudem as Escrituras com zelo e reverência, permitindo que o Espírito Santo ilumine o entendimento e aplique a verdade divina aos corações. Somente assim a Igreja cumprirá o seu propósito neste mundo viver e proclamar a Palavra de Deus, que é viva, eficaz e eterna.

 

Referencias

LIVRARIA FALADA. Os 20 livros mais lidos de todos os tempos. Disponível em: https://livrariafalada.com.br/os-20-livros-mais-lidos-de-todos-os-tempos/. Acesso em: 11 out. 2025.

BOYER, Orlando. Heróis da Fé. 2. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1985.

CONVENÇÃO GERAL DAS ASSEMBLEIAS DE DEUS NO BRASIL (CGADB). Declaração de Fé das Assembleias de Deus. 10. Ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2021.

BARBOSA, Francisco. Os Atributos das Escrituras. Blog Canal Fé, 21 mar. 2025.
Disponível em:
https://canalfe.blogspot.com/2025/03/os-atributos-das-escrituras.html.
Acesso em: 28 out. 2025.

GILBERTO, Antônio. A Bíblia através dos séculos: a história e formação do livro dos livros. 2. Ed. Rio De Janeiro: CPAD, 2019.

FILHO, Verino. A importância do estudo da disciplina Introdução à Teologia e como Deus se revela ao homem. São Félix de Balsas, MA: Missionário Verino Filho, 5 set. 2025. Disponível em: https://verinofilho.blogspot.com/2025/09/a-importancia-do-estudo-da%20disciplina-introducao-a-teologia-e-como-desu-se-revela-ao-home.html. Acesso em: 11 out. 2025.

sexta-feira, 5 de setembro de 2025

A IMPORTÃNCIA DO ESTUDO DA DISCIPLINA INTRODUCÃO À TEOLOGIA E COMO DEUS SE REVELA AO HOMEM

A IMPORTÃNCIA DO ESTUDO DA DISCIPLINA INTRODUCÃO À TEOLOGIA E COMO DEUS SE REVELA AO HOMEM


Introdução

Quando nós falamos da importância do estudo da disciplina de introdução à teologia, nós estamos falando de uma disciplina aonde vai fazer com que o aluno, ou melhor dizendo, o cristão, ele venha entender de forma introdutória qual é o real sentido da teologia que é o estudo sobre Deus. Através deste estudo nós podemos conhecer a Deus, e podemos compreender melhor quem é Deus.

A disciplina de introdução a teologia nos proporciona a compreensão de como um ser todo poderoso se relaciona com à humanidade, como um Deus sendo incompreensível pode se tornar ao mesmo tempo cognoscível ou melhor, que pode ser estudado.

 Então, a disciplina de introdução à teologia, ela não deve ser deixada de lado pelo fato de ser uma disciplina introdutória. Ela não é menos essencial do que as outras, porque é ela que nos leva ao conhecimento introdutório sobre a Bíblia, sobre essa revelação.

O que é a teologia e a sua relevância?

Quando nós falamos em teologia, para muitas pessoas já vem a pergunta, para que teologia? No mundo atual em que vivemos as pessoas entendem que teologia é algo somente para padres, para pastores e para pessoas que estão envolvidas em alguma religião e que desejam ingressar em algum seminário ou algo do tipo.

Para nós saímos dessa definição que é utilizada por muitos, vem a pergunta, o que deve ser de fato teologia? Qual seria a maneira apropriada de nós conceituarmos essa disciplina que é de grande valia para a sociedade e para o mundo? O conceito de “teologia” vem de duas raízes gregas; “theos”, que significa “Deus”, e “logos”, que significa “estudo, razão ou tratado”.

E esse conceito está certo até certo ponto. Porque quando nós afirmamos que a teologia é a disciplina que estuda Deus, nós não estamos dizendo muita coisa. Porque se nós olharmos para todas as disciplinas de estudos, Vamos dizer que cada uma delas tem o seu método sua base e objeto que cada uma delas estuda. Vejamos o que afirma Justo L. González e Zaida M. Pérez:

 

Quando afirmamos que a teologia é “a disciplina que estuda Deus”, não dissemos muita coisa. Cada disciplina define seu método com base no objeto de seu estudo. Assim, por exemplo, a física baseia-se na observação do modo como os corpos físicos se comportam, e a astronomia na observação dos movimentos dos corpos siderais. Por outro lado, a matemática é uma disciplina abstrata, que não requer observação de coisa alguma, mas somente de quantidade aritméticas, formas geométricas etc. A história não pode observar diretamente os acontecimentos de que se ocupa e, portanto, estuda os documentos, restos arqueológicos e outros indícios que dão testemunho desses acontecimentos. Resumindo, cada disciplina tem seu método próprio e esse método tem que concordar, de algum modo, com o tema e objeto de seu estudo (GONZALÉZ, PÉREZ, 2006, p. 13)

Então nós podemos compreender que cada disciplina do conhecimento humano possui o seu método próprio, sempre voltado ao seu objeto de estudo. A biologia, por exemplo, tem o ser vivo como objeto, a física ocupa-se da matéria e das leis naturais, a história volta-se para os fatos passados e sua interpretação.

Mas quando voltamos para a teologia surge uma questão Fundamental, Podemos tratar a Deus como objeto de estudo tal como acontece nas demais disciplinas? É claro que a resposta é não. Isso seria algo totalmente errado, pois Deus, um ser infinito, absoluto eterno, todo poderoso que transcende qualquer categoria criada, ou seja ele não pode ser reduzido a um objeto de estudo.

Por isso, nós não podemos dizer que estudamos a Deus em si mesmo, pois ele é um ser insondável que está além de qualquer compreensão humana, a mente humana de maneira alguma tem a possibilidade de compreender a Deus, de conhecer a Deus na sua totalidade.

Isso porque nós somos seres limitados, o que nós podemos estudar na realidade é a sua revelação, que é o que ele mesmo decidiu tornar conhecido para nós através das Sagradas Escrituras, através da criação, através da história, através de Jesus e através da sua revelação natural, que é o que nós veremos mais adiante.

Tipos de revelação

Nós seres humanos sendo finitos temos a impossibilidade de conhecermos a Deus, a menos que ele decida se revelar para nós, e mesmo assim seria algo impossível conhecermos a Deus na sua totalidade, porque como já disse somos seres finitos e não teria como nós conhecermos um Deus que é infinito, imutável e transcendente.

Existem duas classificações de revelação que Deus pela sua infinita misericórdia decidiu se manifestar aos seres humanos, para assim ter um melhor relacionamento com a sua criação, são estas revelação geral e revelação especial.

1.      Revelação geral

A revelação geral é compreendida como a forma pela qual Deus se manifesta a toda a humanidade, em qualquer tempo ou lugar, por meio da natureza, da história e da própria constituição do ser humano. Essa revelação não é restrita a um grupo ou cultura específica, mas é universal, alcançando todas as pessoas, em todas as épocas. Por meio dela, o homem pode reconhecer a existência, o poder e a grandeza do Criador, ainda que de forma limitada. Contudo, trata-se de uma revelação ampla, que não comunica detalhes específicos sobre a salvação, mas aponta para a realidade de Deus e desperta no ser humano a consciência de sua presença. Nesse sentido, vejamos o que diz Erickson:

A revelação geral refere-se à auto manifestação de Deus por meio da natureza, da história e da personalidade do homem. É geral em dois aspectos: sua disponibilidade universal (é aces- A Revelação de Deus sível a todas as pessoas em todos os tempos) e o conteúdo da mensagem (é menos particularizado e detalhado que o da revelação especial). É preciso levantar alguns problemas. Um, diz respeito à genuinidade da revelação. Ela de fato existe? Além disso, precisamos questionai a eficácia dessa revelação. Se existe, que se pode fazer dela? E possível construir uma "teologia natural", um conhecimento de Deus a partir da natureza? (ERICKSON, 1992, p. 41).

 

 

Visto que a revelação geral não é uma revelação diretamente, mas sim dada a todo ser humano em todas as épocas e lugares. Essa revelação não deixa de ser perfeita ela possui qualidades suficientes para que o homem venha conhecer a Deus.

Ø  Revelação por meio da natureza

A palavra do Senhor é bem clara em nos dizer que nós podemos conhecer a Deus através da sua própria criação. Existem inúmeras passagens bíblicas que vão deixar claro para nós que podemos conhecer Deus através de um mundo que Ele mesmo criou. Vejamos o que diz o Salmo 19:

“Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos. Um dia discursa a outro dia, e uma noite revela conhecimento a outra noite. Não há linguagem, nem há palavras, e deles não se ouve nenhum som. No entanto, por toda a terra se faz ouvir a sua voz, e as suas palavras chegam até os confins do mundo. Aí, pôs uma tenda para o sol, que é como um noivo que sai dos seus aposentos, e se alegra como um herói a percorrer o seu caminho. Principia numa extremidade dos céus, e até a outra vai o seu percurso; e nada pode se esconder do seu calor.”  (Sl 19.1-6)

Nesses poucos versos do Salmo de 19, escrito por Davi, nós vemos que a própria palavra do Senhor, ela revela Deus através da própria natureza, através da sua própria criação e isso faz com que nenhum homem se torne indesculpáveis, o apostolo Paulo também fala sobre esse assunto na sua carta aos romanos. Veja:

“Porque os atributos invisíveis de Deus, isto é, o seu eterno poder e a sua divindade, claramente se reconhecem, desde a criação do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que Deus fez. Por isso, os seres humanos são indesculpáveis” (Rm 1.20)

Com relação a essa fala do apóstolo Paulo, nós entendemos que, por meio da revelação de Deus através da natureza, os homens se tornam indesculpáveis. Certa feita em um seminário que eu presenciei eu ouvi o professor narrando uma história de um homem que havia se perdido em uma ilha, e ele nunca tinha ouvido falar de Deus, não conhecia a Deus, não sabia quem ele era, certo dia perdido nessa ilha ele olhou para o céu, olhou para tudo que estava ao seu redor, olhou para o sol e viu como como o sol funcionava e viu que toda a criação é perfeita, foi quando ele disse eu adoro ao Deus que criou o sol.

 

Ø  Revelação por meio da história

A Revelação Geral na História é a forma como Deus se manifesta através dos acontecimentos da humanidade. Ele governa os povos, estabelece e remove reis, conduz impérios e dirige os rumos da história, a história da nação de Israel é um exemplo prático dessa revelação. Vejamos o que diz Erikson a respeito desse assunto:

Se Deus está atuando no mundo e move-se em direção a certos alvos, deveria ser possível detectar o curso de sua obra nos acontecimentos que ocorrem como parte da história. Um exemplo muito citado de revelação de Deus na história é a preservação do povo de Israel. Essa pequena nação vem sobrevivendo ao longo de séculos, em ambientes basicamente hostis, muitas vezes em face de severa oposição. (ERICKSON, 1992, p. 42).

Ø  Revelação por meio da personalidade do homem

A revelação por meio da personalidade do homem, ela acontece porque o homem reflete algo de Deus. Até porque o próprio Deus criou o homem a sua imagem e semelhança conforme a palavra do Senhor nos diz (Gn 1.26-27). Gostaria de listar algumas das características do que faz Deus se revelar através do homem:

v  Consciência moral

O homem por sua natureza tem dentro de si o senso de certo e errado.

“Quando, pois, os gentios, que não têm a lei, fazem, por natureza, o que a lei ordena, eles se tornam lei para si mesmos, embora não tenham a lei. Estes mostram a obra da lei gravada no seu coração, o que é confirmado pela consciência deles e pelos seus pensamentos conflitantes, que às vezes os acusam e às vezes os defendem” (Rm 2.14-15).

v  Capacidade espiritual

O homem tem o desejo de buscar a deus mesmo que não possa encontra-lo na sua totalidade.

“para buscarem Deus se, porventura, tateando, o possam achar, ainda que não esteja longe de cada um de nós;” (At 17.27).

 

v  Intelecto e racionalidade

O homem tem a habilidade de pensar, criar e refletir, isso herdamos de quem? Só há uma resposta, herdamos de Deus.

v  Sentimento de eternidade

O homem ele tem a consciência que sua existência não se limita ao tem em que está vivendo.

Deus fez tudo formoso no seu devido tempo. Também pôs a eternidade no coração do ser humano, sem que este possa descobrir as obras que Deus fez desde o princípio até o fim(Ec 3.11).

Basicamente, somos um espelho que reflete ao Senhor, porque nós temos moral, espiritualidade, racionalidade e, por fim, o sentimento de eternidade, conforme Salomão nos afirma.

2.      Revelação especial

Diferente da revelação geral que é dada a todos os seres humanos e em todas as épocas, a revelação especial é mais individual e objetiva. Nesta categoria de revelação especial encontramos vários tipos de revelação especiais, irei listar duas:

Ø  Revelação através da Bíblia

É claro que a bíblia não poderia faltar, pois ela é a forma de revelação especifica de deus para toda a humanidade.

“Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o servo de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (2 Tm 3.16-17).

Ø  Revelação através de Jesus Cristo

Jesus é sem comparação a maior forma de revelação de Deus aos homens, ele é o próprio Deus encarnado, que vive entre os homens até os dias de hoje.

“Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho, A quem constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo. O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da majestade nas alturas” (Hb 1.1-3);

“Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade. ” (Cl 2.9).

CONCLUSÃO

A disciplina de Introdução à Teologia é importante porque ajuda a gente a entender o que é Teologia e por que ela é necessária. A Teologia estuda a pessoa de Deus, como Ele se revela e qual é o seu plano para a humanidade. Para isso, aprendemos que Deus se revela de duas formas: na revelação geral, que acontece por meio da natureza, da consciência do homem e da história; e na revelação especial, que é a revelação direta de Deus através da Bíblia e de Jesus Cristo. Estudar Teologia é importante porque fortalece a nossa fé, nos ajuda a conhecer mais a Deus e nos mostra o porquê devemos estudar e crescer no conhecimento da sua Palavra.

REFERENCIAS

BÍBLIA SAGRADA. Tradução de João Ferreira de Almeida. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2018.

ERICKSON, Millard J. Introdução à teologia sistemática. São Paulo: Vida Nova, 1992.

SALES, Walberto Magalhães. Deus: Existencia e Revelação uma Introdução à Teontologia. Arari, MA: Servus, 2018.

GONZÁLEZ, Justo L. & PÉREZ, Zaida M. Introdução a Teologia Cristã. São Paulo: Academia Cristã, 2006.

quarta-feira, 3 de setembro de 2025

O QUE É MISSÕES?

O QUE É MISSÕES?


O que são Missões?

Missões é um dos pilares fundamentais da fé cristã, refletindo o coração de Deus em seu desejo de alcançar e salvar todas as pessoas. Quando falamos em missões, nos referimos à ação de levar o evangelho de Jesus Cristo a todos os povos, línguas e culturas, com o objetivo de compartilhar a mensagem de salvação e transformação espiritual.

A Origem das Missões

As missões não são uma invenção humana, mas um mandamento direto de Cristo. No final de seu ministério terreno, Jesus deu uma grande comissão a seus discípulos, registrada em Mateus 28:19-20: "Portanto, ide e fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho ordenado; e eis que estou convosco todos os dias, até a consumação do século."

Essa ordem se tornou o alicerce das missões cristãs. Desde os primeiros séculos da igreja, os cristãos têm levado a mensagem de Jesus para além de suas fronteiras, alcançando povos de diferentes nações e contextos.

O Objetivo das Missões

O principal objetivo das missões é a proclamação do evangelho de Cristo, com a esperança de que mais pessoas venham a conhecer o amor de Deus e aceitar a salvação oferecida por Jesus. Mas missões não se limita apenas à evangelização. Elas envolvem também o cuidado com o próximo, a promoção da justiça social e o apoio a comunidades carentes, atendendo tanto às necessidades espirituais quanto às físicas.

Missões é um chamado para a igreja agir em favor dos necessitados, seja no âmbito espiritual, emocional ou material. A missão não é algo que deve ser feito apenas por grupos específicos, mas é um trabalho coletivo da igreja, com cada cristão assumindo sua parte na grande comissão.

Como as Missões São Realizadas?

As missões podem acontecer de diferentes formas:

  1. Missões Locais: Trabalhar dentro da própria comunidade, evangelizando, visitando os enfermos, ajudando os necessitados e realizando atividades de integração e ensino da palavra de Deus.

  2. Missões Nacionais: Envolvem o envio de missionários a diferentes regiões de um país, geralmente em lugares de difícil acesso ou onde a palavra de Deus ainda não foi amplamente difundida.

  3. Missões Internacionais: Envolvem o envio de missionários para outros países, com a intenção de levar o evangelho e o amor de Cristo a culturas e povos distantes, frequentemente através de traduções bíblicas, programas de assistência social e ensino cristão.

O Papel da Igreja nas Missões

A igreja tem um papel central nas missões, sendo não apenas uma instituição de culto, mas também uma base de envio. Ela deve equipar e treinar os missionários, além de apoiar financeiramente e orando por aqueles que estão no campo missionário. A missão é uma responsabilidade que se estende a todos os cristãos, que são chamados a fazer parte dessa grande obra de Deus.

A Importância das Missões no Mundo Atual

Vivemos em um mundo cada vez mais globalizado, onde as barreiras físicas e culturais estão diminuindo. Isso abre uma oportunidade única para a igreja expandir sua atuação e alcançar muitas pessoas, independentemente de onde elas estejam. As missões são, sem dúvida, uma das maneiras mais poderosas de impactar o mundo com o amor de Deus e de cumprir a missão dada por Cristo a cada um de nós.

Conclusão

As missões não são apenas um esforço para levar pessoas a Cristo, mas também para impactar a sociedade de maneira transformadora. Elas envolvem o compromisso com o outro, com o evangelho e com a visão de um mundo melhor, onde a justiça, a paz e o amor de Deus prevaleçam. O chamado para missões é um desafio que deve ser acolhido com fé e dedicação, pois o fruto dessa obra é a edificação do Reino de Deus na Terra.

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